:Cruzeirense Roger reclama: "o futebol está chato"

Cruzeirense Roger reclama: "o futebol está chato" - Tv Na Rua


Cruzeirense Roger reclama: "o futebol está chato"

Meia contou bons e maus momentos da carreira e se disse fã do futebol do Santos

Já são mais de três meses desde seu retorno ao Brasil, após morar no Qatar. Nesse tempo, o armador Roger chamou a atenção e caiu nas graças do torcedor do Cruzeiro ao ser decisivo no primeiro clássico contra o Atlético-MG do ano.

Adilson Batista também gostou e, com a camisa 23, o meia canhoto conquistou a titularidade da equipe. Contudo uma entorse no tornozelo esquerdo sofrida em pleno Campeonato Mineiro o tirou de combate, enquanto o camisa 10 Gilberto retomava o seu posto no setor de armação. Nesse meio tempo, a vida pessoal do jogador foi explorada pelas revistas de celebridades, por conta da crise do seu casamento com a atriz Deborah Secco.

Fato é que, aos 31 anos, em campo, ele ainda poderá ser muito útil para a equipe mineira. Prova disso foi a boa participação no jogo de quarta-feira, diante do São Paulo, quando quase marcou, no segundo tempo. E também porque com a convocação de Gilberto para a Copa do Mundo, o camisa 10 perderá quatro partidas do Brasileirão antes da sua pausa, o que coincide com o fim da suspensão de três jogos de Roger, sofrida ainda nos tempos de Grêmio.

Ao diário LANCE!, Roger falou da sua vida em campo, fez um retrospecto da carreira e também revelou um incômodo com as notícias, muitas vezes falsas, segundo ele, da sua vida particular. Entretanto, garante que está se sentindo muito bem em Belo Horizonte e ainda poderá dar muitas alegrias para os torcedores do Cruzeiro no seu contrato de dois anos.

Lancepress!: O clássico, como cartão de visitas para a torcida, ajudou no processo de aceitação da torcida, com todo aquele fato de comemorar com a cabeça do Raposão?

Roger: Sem dúvida. Toda contratação, principalmente de jogador de nome, gera expectativa. E essa expectativa vir em um clássico, o jogo mais importante do estado, é excelente. Mas o trabalho tem de continuar. Claro que o carinho aumenta porque a estréia vai ficar marcada. Até hoje as pessoas lembram. Mas são mais anos de contrato e quero estar bem sempre.

L: Foi na hora da emoção ou era uma coisa programada?

R: Foi na hora da emoção. Eu nem sabia que não podia. Infelizmente já tinha feito. Foi na hora da explosão. Vi a raposa(mascote) na minha direção e vi a cabeça solta. Tentei puxar e ele segurou, depois se jogou no chão. Foi legal e valeu a pena. Mas o trabalho tem de continuar com transparência. Sou sempre o último a sair. Quando a gente passa dos 30 anos a gente tem que se envoler mais ainda com os treinamentos, cuidar mais do corpo. Chego uma hora antes no treino e saio uma hora depois porque a época de 20 anos, quando ia para a praia, chegava no treino sujo de areia, jogava e depois jogava vôlei na praia de novo. A idade castiga. Tem de chegar mais cedo, fazer trabalho de musculação, trabalho preventivo para estender a carreira com qualidade.

L: Você teve uma estreia fulminante, depois se machucou e agora tenta recuperar seu espaço. A sua palavra chave até agora no Cruzeiro tem sido a paciência para voltar a ter uma seqüência?

R: Acho que sim. O Cruzeiro tem um grupo forte. Aqui não é qualquer um que pode jogar. Não posso buscar a minha vaga na força do meu nome. Tem de ser com paciência, treinando e mostrando que tenho condição. Isso é importante, porque, como eu disse, não tenho mais idade para querer brigar com tudo. Estou em uma fase da minha vida muito tranqüila e serena. Sei que posso ajudar e por isso tenho esse contrato longo com o Cruzeiro, porque o clube oferece boas condições. A gente sabe que com o grupo podemos brigar por títulos, mas sempre com respeito com o companheiro. Trabalho com transparência. Claro que não estou jogando muito e não gosto, mas prefiro manter a calma e ser paciente para recuperar minha vaga dentro do campo.

L: Dentro dessa questão de paciência, como o Adilson tem trabalhado com você, já que é um jogador de nome que a torcida sempre pede e quer ver em campo?

R: Tem sido tranqüilo. Eu não cobro nada. Venho aqui e faço meu trabalho. Quando ele precisa estou sempre pronto para ajudar. Não tem essa barreira que impeça de ele vir e conversar comigo e vice-versa, até mesmo porque eu passo isso para ele. Se eu chegasse aqui emburrado porque não joguei, nervoso, reclamando...Não está sendo dessa maneira. Sei que o futebol é assim mesmo, tem que esperar e torcendo para quem estiver jogando fazer o seu melhor.

L: No seu relacionamento com os técnicos e companheiros, sempre foi assim? Um cara mais tranqüilo e com paciência?

R: Quando a gente é novo é diferente. A gente quer resultado na hora. Não só como profissional, mas em qualquer área. Se quer um carro novo, vai lá e compra. A gente não escuta as pessoas mais velhas que falam para esperar um pouco. Não to falando que eu fiz isso. Mas to exemplificando um fato que muitos jovens fazem e acabam se atropelando por conta desse ímpeto. Acho que isso faz parte de um amadurecimento normal de qualquer pessoa. Meu momento é de paz comigo mesmo, respeitando a decisão do treinador e sabendo que devemos acreditar no trabalho daqueles que estão há três anos com ele. Eu cheguei agora, vim de fora. Claro que tem uma confiança a mais nos que já estão aqui. Gradativamente eu vou mostrando para ele que mereço uma chance.

L: Falando em amadurecimento e dessa sua fase mais tranqüila no Cruzeiro. Você olha para trás e se lembra de algum fato que você fez e se arrependeu? Que gostaria que fosse diferente?

R: Arrependimento é uma palavra forte. Mas eu teria mudado algumas questões sim. Na primeira vez que estive no Benfica, por seis meses, eu pedi para voltar. Se tivesse a cabeça de hoje, não voltaria de jeito nenhum. Mas não me arrependo do que aconteceu e estou muito feliz com a carreira que tenho, muito sólida. Vou fazer 32 anos e estou muito feliz. Poderia sim ter mudado algumas decisões que tive mas não me arrependo nem olho para trás com lamentações.

L: Hoje, você acredita que o jovem tem um cuidado e proteção maior para que ele evite essa questão que você teve no Benfica e o lado pessoal também?

R: Não sei. O jogador hoje é muito mais mimado do que na minha época. Tem júnior que chega de carro importado para treinar. Eles tem dois ou três telefones. Tem empresários no treino do infantil que dá casa para a mãe. Isso faz perder a essência do jogador que joga a pelada, chega descalço em um clube porque não tem dinheiro. Então hoje você vê briga de vaidade dentro das categorias de base. Na minha época todos ganhavam a mesma coisa, com uma ajuda de custo para a passagem de ônibus. Lembro que meu primeiro contrato era de R$ 300,00 e depois cheguei no profissional ganhando R$ 500,00. Hoje em dia nem infantil ganha isso. E meu início foi há 15 anos. Acho que essa briga de vaidades começa muito cedo e isso é um ponto ruim. Mas também pode ter pessoas que ajudam em questões difíceis da carreira.

L: No seu início de carreira o Carlos Alberto Parreira, então técnico do Fluminense, chegou a dizer que seu estilo de jogo lembrava o do Maradona. Como você encarou essa comparação na época?

R: Na verdade, ele não comparou o Roger com o Maradona. Isso seria até uma covardia com um menino de 18 anos, que um homem que sabe tudo de futebol e gestão como o Parreira jamais faria. Ele mostrou que pela estatura baixa, por ser canhoto e de certa habilidade, nossos estilos eram parecidos. Mas nunca me deixei me levar por isso. É uma coisa que nunca me atrapalhou e nunca tive isso na cabeça. Procurei construir minha trajetória.

L: Pela Seleção Brasileira, você teve um entrevero com o Lúcio nas Olimpíadas de 2000 contra Camarões. Como você vê, hoje, aquele lance? Foi algo normal de jogo?

R: Foi uma coisa normal de jogo. Era o último lance e a gente estava perdendo. Em um contra-ataque eu recebo a bola e ele passa por mim por fora. Tinha algumas opções para tocar em pouco tempo. Se não me engano, tentei passar para o Alex ou o Ronaldinho Gaúcho. Só que o Lúcio desse jeito grossão dele, líder que é, que a gente admira tanto, reclamou. Mas não passou disso.

L: Você já presenciou muitos casos desses dentro de campo e também nos vestiários, onde a imprensa e o torcedor não tem acesso?

R: Sempre existe. Até porque são 20 pessoas lutando pelo mesmo objetivo e as vezes há diferenças. Mas o mais importante é que se caminhe para um denominador comum. Sou contra a violência e não gosto disso. Prefiro que as coisas se resolvam na conversa. Também não gosto de quem fala alto para se impor. Acho isso feio. Toda e qualquer discussão pode ser resolvida em tom moderado e com educação. Mas no futebol, nem sempre é dessa maneira. Mas como eu disse, o que é bom para um lado, não é para o outro. Hoje em dia, estou correndo de confusão.

L: Você ainda pensa em defender a Seleção Brasileira? Em 2014 tem a Copa no Brasil.

R: Sou realista. Não vou tentar vender meu peixe mais caro do que ele é. (risos). Vou torcer para esses meninos que estão brilhando ai agora e que em 2014 eu possa estar do lado de vocês falando de futebol.

L: Pensa em ser jornalista?

R: Eu penso. Mas primeiro quero fazer faculdade. Já tive alguns convites para participar de programas de televisão e tenho que me preparar para tudo. Não é porque já vivo no futebol que posso atropelar as coisas. Quero me preparar e fazer faculdade. Quando estiver pronto, começar a trabalhar. E antes disso, enquanto faço faculdade, tenho outras coisas para fazer... trabalhos, investimentos, para não parar.

L: Queria que você contasse um pouco da sua experiência no Qatar, como foi viver em uma cultura diferente? Você aconselha um jogador a ir para lá, mesmo ficando escondido?

R: Acredito que tem de se pensar em duas coisas. Primeiro o financeiro, que não há como negar que é muito bom. E também o pessoal. Acho que aprendi muitas coisas como ser humano. É uma religião diferente, comportamento, educação, modo de comer. Tudo é diferente do nosso. Então você passa a respeitar muito o ser humano quando você volta. É um tratamento com as mulheres diferente, a religião em primeiro plano. Acho que valeu a pena nesses dois sentidos. Profissionalmente é claro que não acrescenta em nada. Não vou mentir e dizer que é um campeonato forte. A maioria dos jogadores são amadores, tem outros empregos e nem comparece aos treinamentos. As vezes se treina com meia dúzia de jogadores. Foi um momento muito difícil, mas especial.

L: Houve algum caso pitoresco ou especial que você presenciou?

R: A primeira coisa que você repara são as mulheres. Apesar de o Qatar ainda ser um pouco mais liberal do que a Arábia Saudita, as mulheres saem com as suas burcas. Aos poucos elas estão começando a dirigir. Relacionamento com homem, só com o marido dentro de casa. Fora, não pode nem chegar perto de outro homem. Tudo é separado. O que mais impressiona é isso. É um povo que ainda não sabe comer com garfo e faca. Prezam pela tradição de comer com a mão. Então são alguns costumes interessantes e o mais bonito é aprender a respeitar e fazer como eles fazem, porque demonstra respeito e faz com que eles te admirem de certa forma.

L: Dentro da sua carreira, qual é o momento que você aponta como ápice e aquele que você prefere deixar para trás e não quer lembra?

R: Vou fazer 32 e comecei com 17. É inevitável que você tenha momentos ruins também. O mais importante foi no Fluminense, onde sempre consegui jogar em alto nível e tenho um nome muito forte lá. Em 2005, no Corinthians, tive um momento especial e também no Grêmio. Momentos ruins tive também no Corinthians após uma cirurgia de fratura na perna. Não consegui retornar no mesmo nível e também no Flamengo, com algumas lesões que me atrapalharam memso. Mas de resto, até no Benfica tive um ano excelente.

L: Qual foi o grande companheiro que você teve no futebol?

R: Eu costumo ter meus amigos naqueles que começaram comigo. O Bruno que está no Santos. O Fábio Costa, não aquele goleiro, mas um menino que começou comigo. Tem o Marco Brito também. Além do Júlio César, que é um irmão, mais que amigo. O conheço desde que tínhamos oito anos do futebol de salão. E o Nilmar também, que jogou comigo no Corinthians e depois quando tava no sul.

L: Você jogou no Rio e em São Paulo, além de Porto Alegre. Agora em Belo Horizonte, que muitos dizem que é uma "roça grande". Como você está se sentindo?

R: Eu estou muito bem aqui. Estou sendo recebido de uma maneira espetacular. Esse clima de "roça grande" eu estou sentindo, não no clima pejorativo. Todos te tratam bem, são receptivos, te chamam para um café em casa, fazem aquele bolinho. Isso está sendo bem legal. É uma cidade tranqüila e pacada. A gente tem tranquilidade e também é segura, em comparação a outros estados.

L: É inevitável falar que você atrai a atenção de outras mídias que não tratam de futebol. Esse tipo de coisa te incomoda? Sair em uma revista que trata de sua vida pessoal?

R: O que me incomoda é quando saem inverdades. O que na maioria das vezes é. Infelizmente essas revistas, esses veículos de comunicação de fofoca não tem compromisso nenhum com a verdade. Eles colocam várias coisas que as pessoas vão gostar de ler. Então é só isso que me incomoda. Não sou um jogador que paro para dar entrevista para dar esse tipo de veículo. Você nunca viu e nem verá. Você pode ver fotos, mas entrevista minha é impossível, para site ou revista. Agora, não posso controlar as fotos e matérias que eles fazem. Agora, não me incomodaria se as coisas que eles fazem fossem legitimas. Mas infelizmente não é. Então, é só isso que tenho a dizer. Só me incomodam porque não tem compromisso com a verdade.

L: A sua relação com os jogadores e o meio de futebol muda de alguma maneira por conta disso?

R: Não. Meu comportamento é o mesmo e costumo ter um relacionamento bom com todo mundo. Não muda em nada... pelo contrário.

L Como foi o seu início, vindo de uma classe menos favorecida?

R: A única coisa que tenho a agradecer é a minha mãe, que me obrigou a estudar. Se não fosse na escola, não podia jogar futebol, que é a minha paixão. Então ela me proibia mesmo. Se não fosse estudar não ia. Não queria saber se tinha jogo importante, treinador. Ela me obrigou até os 17 anos, na hora de entrar na faculdade. Entrei para o profissional, ganhando R$ 500,00 e comprei um carro velhinho. Depois, no profissional, com muito treino pela manhã e a tarde, fazia faculdade a noite e chegava em casa muito cansado. Uma vez, voltando da faculdade na linha amarela, no Rio de Janeiro, dormi no volante. Fui salvo por um rapaz que viu que eu dormi e deu um toque no meu carro para eu acordar. A partir desse dia minha mãe sentou comigo, conversou e me mostrou que estava bem encaminhado. Já tinha feito alguns jogos no profissional e minha mãe falou que era hora de optar pelo estudo ou futebol. E o orgulho que tenho é esse, quando dou entrevistas ou vou a algum programa de televisão, as pessoas elogiarem a maneira com a qual eu me comporto e falo. Isso é uma conquista.

L: Alguns jogadores de pele clara, cabelo liso, já deram declarações de que sofriam preconceito quando eram mais novos. Aconteceu com você também?

R: Não tive esse problema. Eu comecei a jogar salão com seis anos e aí você já vive nesse meio. Claro que a fisionomia é a primeira coisa que desperta o interesse nas pessoas. Por ter cabelo claro e pele clara, as pessoas achavam que eu tinha condição financeira melhor. Mas não era o caso.

L: Qual é o grande jogo da sua carreira? Aquele que você vai sempre se lembrar com carinho?

R: Acho que o clássico é o jogo mais gostoso. Em todos os times que joguei, me dei bem nessas partidas, definindo os clássicos. Pelo Fluminense, pelo Corinthians, contra Palmeiras, contra Santos. Gre-Nal, joguei um e fiz gol. Cruzeiro e Atlético joguei um e fiz gol. Então acho que qualquer clássico é importante e quando você é figura de destaque dentro de campo, é importante.

L: No futebol, atualmente, existem poucos meias canhotos como você? Está em falta?

R: Pouquíssimo. Às vezes em falta, muitas vezes por culpa dos treinadores, que optam por jogadores ou que correm mais, ou que cumprem uma função tática melhor. O canhoto, quando é meia e tem a criatividade que poucos tem, não tem a característica de correr, dar carrinho e marcar. Hoje, muito em função de alguns treinadores, o meia está em falta. Não culpo porque não aparece. Acho que os treinadores não gostam. Preferem um jogo mais feio.

L: Dentro disso, o Ganso é uma exceção, não é?

R: Ganso é exceção. O treinador do Santos opta por jogar bonito, jogadores que jogam para frente, giram a bola, fazem a bola entrar em diagonal. É o que o Brasil gosta. Mas, hoje, em dia, com os treinadores que tem medo de perder o emprego, eles recuam um pouquinho.

L: Você acha que o futebol está chato?

R: Acho. São poucos jogos de qualidade. Por isso todos querem ver o futebol bonito do Santos.

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Fonte: Terra
Por: Antonio Delvair Zaneti
Data: 15/05/2010 20h16min


    

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